domingo, 11 de abril de 2010

SANTO DAIME – A Verdade Revelada sobre a Religião da Floresta

SANTO DAIME – A Verdade Revelada sobre a Religião da Floresta

1. Objetivo
Este texto tem como objetivo principal informar, esclarecer e desmistificar sobre o Santo Daime, o Verdadeiro Santo Daime, com base nos Usos, Costumes, Tradições, Conhecimentos e Vivência, desde 1967, com este chá natura-lista e homeopático que a mídia inescrupulosa, sensacionalista e anti-ética está chamando atenção do mundo profano moderno, devido ao uso irresponsável por parte de alguns seguimentos dissidentes que estão se estabelecendo pelo mundo a fora com fins eminentemente comerciais e para mascarar o uso de drogas ilícitas em meios urbanos sem que sejam perseguidos pela polícia, causando, conseqüentemente, situações de desinformação, medo e aversão ao uso do Santo Daime, que nada tem a ver com essas ocorrências pelo Brasil e no Mundo.

2. Introdução
O chá da Ayahuasca é utilizado milenarmente pelos índios da América do Sul com extrema religiosidade, como instrumento espiritual, ritual e cultural, dentro do seu Uso, Costumes e Tradições. Em meados do século 20 foram criadas três Linhas-Mãe Ayahuasqueiras não-indígenas, em áreas tipicamente rurais dos Estados do Acre e de Rondô-nia, as quais passaram a funcionar posteriormente nas zonas urbanas daqueles Estados da região norte do Brasil, onde se consolidaram e mantêm suas Sedes-Mãe e suas raízes tradicionais e culturais até os dias atuais.
No início da década de 1970, após a morte do Fundador do Santo Daime, Raimundo Irineu Serra, no dia 06 de julho de 1971, em Rio Branco-AC, surgiram várias dissidências da Linha do Santo Daime naquela capital acreana, as quais são responsáveis pela disseminação e popularização do uso urbano da ayahuasca pelo Brasil a fora, nas décadas de 1970 a 90, e pelo mundo moderno a partir do século 21. Todavia, da forma como ocorreu essa disseminação, a po-pularização do uso da ayahuasca veio acompanhada de alto custo da imagem do Veículo Sagrado que é o Santo Daime, devido ao uso, pelos dissidentes, de drogas proscritas pela humanidade, como a maconha, a cocaína e o crack.
Alguns Países onde se instalaram igrejas ayahuasqueiras, quando liberaram a ayahuasca para uso urbano em seus territórios, o fizeram apenas para uso religioso, exclusivamente nas instalações físicas das igrejas, durante seus cultos e rituais. No Brasil, o uso da ayahuasca se alastrou de forma descontrolada e negligenciada já a partir do início dos anos 70, quando o primeiro e maior dissidente do Mestre Irineu criou a Colônia 5000 e arrebanhou milhares de hippies, anda-rilhos, “filósofos” e estudantes de psicologia e antropologia para morarem naquela comunidade alternativa, onde come-çaram a inserir a maconha compartilhada com a ayahuasca. Posteriormente, na década de 80, essa mesma linha dissi-dente incorporou também o uso da cocaína em seus rituais litúrgicos e nos anos 90 o crack, juntamente com a maconha e a ayahuasca produzida por aquela comunidade, onde essas drogas foram batizadas de “santa maria” (a maconha), de “santa clara” (a cocaína) e de “são jorge” (o crack), como forma de despistar as pessoas que bebiam a ayahuasca na boa fé, os incautos que não sabiam do uso de drogas junto com a bebida e a polícia que não desconfiava do linguajar “reli-gioso-cristão” por se tratar de nome de santos católicos.
A mídia escrita, falada e televisiva tem muita influência e grande poder como formadores de opinião e massifica-ção de conceitos para a sociedade pouco informada ou ignorante em alguns assuntos mas, infelizmente, essa mesma mídia no afã da conquista de leitores/ouvintes/telespectadores e, conseqüentemente, dos resultados financeiros, torna-se inescrupulosa, sensacionalista, anti-ética e mau-formadora de opinião e conceitos, passando informações erradas, dis-torcidas e impregnada de juízo de valor dos seus correspondentes, escritores e apresentadores, os quais ainda não estão devidamente preparados para falar de forma profissional, isenta e imparcial de assuntos tão delicados e de extrema importância para a população.

3. Linhas-Mãe Ayahuasqueiras
Existem efetivamente quatro Linhas-Mãe Ayahuasqueiras na face da terra, sendo que as três linhas-mãe não-indígenas foram criadas por seus fundadores a partir de determinação, instrução e orientação espiritual, com objetivos claramente definidos e preservam até hoje em dia suas raízes tradicionais e culturais e bem como seus valores éticos, morais, sacramentais e religiosos em seus rituais. Apresentamos a seguir uma breve descrição das quatro Linhas-Mãe Ayahuasqueiras existentes:
a) Linha Indígena: chá de origem milenar, atemporal e tradicional nas comunidades indígenas e silvícolas, que usam a ayahuasca como sacramento e inspirador de bons fluídos espirituais em seus rituais xamãnicos. O ritual dos indígenas são os verdadeiros rituais xamãnicos e o pajé ou líder destes eventos espirituais em suas aldeias e comunidades são os verdadeiros xamãs. Alguns homens brancos (poucos americanos e vários bra-sileiros) usurpadores de poder e status querem e autodenominam-se de xamã, por acharem que apenas co-nhecer, usar e vender a ayahuasca podem usar a insigne de xamã. Somente os índios e alguns povos silvíco-las são detentores por herança, tradição, definição e prática desta linha ritualística. O ritual xamãnico compreende a prática da magia, evocações e culto da natureza (seres animais, vegetais, elementais etc.);

b) Linha Santo Daime: chá de origem milenar, atemporal e tradicional, associado ao Rito Doutrinário recebido em 1910 pelo Mestre Raimundo Irineu Serra da Virgem Nossa Senhora da Conceição, a Rainha da Floresta, protetora e advogada da Missão. O chá da Ayahuasca associado à Doutrina recebida pelo Mestre Irineu foi batizado pelo nome de Santo Daime, usado como Sacramento Cristão pelos seus membros seguidores, para quem a Doutrina Daimista é uma Missão Religiosa aqui na Terra. O Mestre Irineu era maranhense, nascido no município de São Vicente Ferrer-MA em 15-12-1892 e falecido em 06-07-1971, em Rio Branco-AC. Ele foi o Sistematizador da Doutrina Daimista e da consagração da Ayahuasca no planeta e veio para reim-plantar as Santas e Sagradas Doutrinas Cristãs já em quase-esquecimento e/ou desuso pela humanidade.

c) Linha Barquinha – Centro Espírita e Culto de Oração Casa de Jesus Fonte de Luz: chá de origem milenar, atemporal e tradicional, associado aos rituais do Santo Daime e da Umbanda tradicional. Linha ayahuas-queira fundada em 1945 por Daniel Pereira de Mattos, egresso do Santo Daime do Mestre Irineu, quem lhe apoiou e incentivou a criar sua missão, pois Daniel queria juntar o ritual da umbanda ao Santo Daime, mas o Mestre Irineu não lho permitiu. Ao chá da Ayahuasca associado com os rituais do Santo Daime e da Um-banda Daniel denominou de Daime, mas a essência e ritualística são diferentes, é um outro seguimento aya-huasqueiro. Foi no Santo Daime do Mestre Irineu, onde Daniel conheceu em 1936, que Ele teve uma reve-lação para a criação da missão religiosa da Barquinha. Daniel foi sargento da marinha e umbandista antes de conhecer o Santo Daime com o Mestre Irineu. Daí porque a sua linha ayahuasqueira é um sincretismo religioso que combina os princípios da Doutrina do Santo Daime com os princípios da Umbanda. Os men-tores espirituais da Barquinha são da linha dos marinheiros. Inicialmente Daniel denominou sua Casa de Capelinha, mas conhecida popularmente como Capelinha de São Francisco, pelo fato de ser um dos princi-pais mentores espirituais daquela Casa de Oração. Posteriormente o nome desta linha foi alterado para Bar-quinha em referência ao ritual místico com os marinheiros, entidades com as quais trabalham nos seus rituais litúrgicos com o uso da ayahuasca. Daniel era amigo, contemporâneo e conterrâneo do Mestre Irineu, nas-cido em São Luis-MA em 13-07-1888 e falecido em 08-09-1958.

d) Linha UDV – União do Vegetal: chá de origem milenar, atemporal e tradicional, associado ao Rito Doutri-nário recebido em 1960 do Rei Salomão pelo Mestre José Gabriel da Costa. Ao chá da Ayahuasca associado à Doutrina recebida pelo Mestre Gabriel deu-se o nome de Vegetal, usado como Sacramento pelos membros seguidores do União do Vegetal. O chá da ayahuasca da UDV também é conhecido como Mariri, Hoasca ou Oaska. Mestre Gabriel, nascido na Localização Coração de Maria, Distrito de Feira de Santana-BA em 22-10-1922 e falecido em 24-09-1971. O Centro Espírita Beneficente União do Vegetal – UDV foi fundado em 22-07-1961 pelo Mestre Gabriel no Estado do Acre, nos seringais fronteiriços com a Bolívia. Em 01-11-1964 o Mestre Gabriel fez a confirmação da União do Vegetal no Astral Superior. Em 1965, por respeito ao Santo Daime e ao Mestre Irineu, o Mestre Gabriel mudou-se para Porto Velho-RO, onde instalou oficial-mente a Sede da UDV e desenvolveu seus trabalhos espirituais. Em 1967, devido a uma perseguição policial em Porto Velho-RO, o Mestre Gabriel muda a Sede da sua Missão para Brasília-DF, até mesmo por questões estratégicas para acompanhar a liberação do uso da ayahuasca pelo Governo Brasileiro. Desde então, a Sede da UDV é de direito em Brasília-DF mas de fato em Porto Velho-RO, onde mora a viúva Dona Pequenina e os filhos. Mestre Gabriel foi iniciado na Doutrina Espírita de Allan Kardec, mas acabou estabelecendo um terreiro de Umbanda onde foi Pai-de-Santo, pois já fora iniciado desde há muitos anos sendo ogã em outros terreiros, onde seu mentor espiritual era o caboclo Sultão das Matas. Conheceu a ayahuasca em abril de 1959 e posteriormente fundou a UDV em 1961. Quando fundou a UDV, Mestre Gabriel manteve ainda os trabalhos do seu terreiro de umbanda em paralelo por uns dois anos, fazendo uma sessão de umbanda e outra de ayahuasca. Somente em 1961, quando fundou oficialmente a UDV foi que o Mestre Gabriel abandonou a umbanda e se firmou exclusivamente com sua missão ayahuasqueira.



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